| "Mas
o problema do carnaval caxiense não é
a falta de segurança e nem falta de blocos.
Não adianta tentar empurrar “goela abaixo”
o que a sociedade não está acostumada.
Não adianta se investir em bloco carnavalescos
em Caxias imediatamente, pois a política
carnavalesca da cidade não favorece o carnaval
de rua. A orientação está errada." |
Nos
últimos anos vimos à proliferação
de festas carnavalescas pelo interior do Maranhão
com o número crescente de turistas, principalmente
das capitais mais próximas como São Luís
e Teresina. Enquanto isso, Caxias a cada ano regride.
Este ano enterrou-se de vez.
Mas
a pergunta que se faz é: o que fazer para voltarmos
a ter um bom carnaval? Afinal, até a o fim da
década de 80, Caxias tinha o mais animado carnaval
do interior do estado.
Com
o axé music, novo estilo musical vindo da Bahia,
muda-se o modo de fazer carnaval pelo Brasil com a introdução
de novidades como trios elétricos e blocos. Deixa-se
de lado as velhas marchinhas de carnaval, que sempre
animaram os salões e as fantasias, que desde
os primórdios do carnaval eram fundamentais para
a festona do povo. Mesmo diante dessas novidades, Caxias
manteve a tradição de festas de clubes
nas noites de carnaval.
Enquanto
isso, algumas cidades menores incentivavam o carnaval
de rua atraindo turistas, botando o “bloco na rua” literalmente.
Cidades como Floriano, no Piauí, é um
exemplo. Blocos disputam turistas com trio, banda e
alguns atrativos a mais, como cerveja liberada para
os brincantes dentro do cordão. Isso atraiu não
só piauienses, mas também maranhenses
e até cearenses.
No
Maranhão, a cidade de Barra do Corda mudou a
forma de fazer carnaval desde a década de 80.
Assim, por exemplo, há dez anos o carnaval na
Barra não é feito em clubes. Para se ter
uma idéia, hoje a cidade é reconhecida
como o melhor carnaval maranhense recebendo somente
de São Luís mais de 3 mil foliões.
Percebendo a empreitada, outras cidades começaram
a incentivar seu carnaval nas ruas. Chapadinha e Itapecuru
se destacaram nos últimos anos. Em 2006, a cidade
de Codó surpreendeu com o aumento de turistas
na cidade, graças ao seu carnaval puxado por
blocos.
Em
Caxias, no entanto, o carnaval de 2006 foi o pior de
todos, sem dúvida nenhuma. Pior de todos os tempos
da cidade e também o pior do Maranhão
dentre as maiores cidades do interior. Desde metade
da década de 90 que a cidade apresenta os primeiros
sinais de desgaste quando já não conseguia
atraía turistas, perdendo para cidades menores.
Nos últimos anos, foram os caxienses que deram
uma verdadeira debandada para onde se tinha um carnaval
de verdade. O que piorou a situação desse
carnaval foram as prévias na praça Gonçalves
Dias, que se transformou em palco de violência,
sem policiamento nem segurança, chegando a ter
vítimas fatais.
Mas
o problema do carnaval caxiense não é
a falta de segurança e nem falta de blocos. Não
adianta tentar empurrar “goela abaixo” o que a sociedade
não está acostumada. Não adianta
se investir em bloco carnavalescos em Caxias imediatamente,
pois a política carnavalesca da cidade não
favorece o carnaval de rua. A orientação
está errada. No ano 2000, tentou-se incentivar
o carnaval com o bloco Babaçu, que saiu com trio-elétrico
e banda pelas ruas da cidade. Apesar de agradar e muito
os foliões, o projeto não foi para frente
por falta de investimento. Em 2003, foi a vez do bloco
No Limite, que também tentou reerguer o carnaval,
gerando grande animação na juventude,
mas também não foi adiante.
Se
Caxias pretende ter um carnaval decente, atraente e
que dê retorno em investimentos, precisa de mudanças
radicais e de longo prazo. Primeiro é acabar
com a idéia de carnaval em clube. O tempo é
outro. A cidade precisa evoluir. Os erros que se cometeram
no passado e que se repetiria este ano, foi o de colocar
esses blocos à tarde e obrigar o folião
a passar a noite de carnaval no Clube Alecrim. Qual
folião-turista hoje, em sã consciência,
vem passar o carnaval em Caxias e pagar um preço
absurdo para entrar em clube sem novidade nenhuma? É
querer demais. Esse é um fator que atrasa o carnaval
caxiense.
Uma
vez superado esse problema, deve-se voltar os olhos
para o carnaval de rua. É preciso um plano ambicioso
e de gente de competência para levar esse projeto
adiante, pois a sociedade caxiense conservadora, por
não está acostumada vai resistir as mudanças
que não fazem parte de sua cultura.
Segundo
fator é um novo local para o novo carnaval caxiense.
Uma boa opção é a avenida Alexandre
Costa. Amplo espaço para circulação
de trio-elétrico, blocos, barracas, camarotes,
tenda rave e palco para show. Esse novo espaço
é apenas para as noites de carnaval. À
tarde a cidade teria como outros atrativos os próprios
clubes, como o Alecrim, AABB, Veneza, e um trio na Praça
Gonçalves Dias mantendo a tradição
de carnaval no centro histórico. O carnaval na
praça Panteon a noite também seria mantido.
Outra
etapa, mas paralela à segunda, é trazer
bandas de renome para o carnaval caxiense. Não
trazer por um dia ou dois, como sempre se faz, pois
nenhum turista vem para Caxias apenas para ouvir certa
banda e voltar para sua cidade. Caxias precisa minar
o carnaval das outras cidades para chamar a atenção,
e isso se faz trazendo as melhores bandas da atualidade
no Maranhão para tocar exclusivamente aqui e
não bandas da Bahia que ninguém ouviu
falar.
É
um projeto ambicioso e de vanguarda por isso requer
uma boa elaboração por parte dos organizadores.
Com esse projeto posto em prática, a cidade conseguirá
manter o folião caxiense na sua cidade. Como
conseqüência do sucesso, ai é que
viriam os turistas aquecendo a economia da cidade e
a alegria do carnaval. Somente com iniciativas como
essa, Caxias sai da condição de pior para
melhor carnaval da região.
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